” De tarde, eu vejo um casalzinho que vem namorar sobre a pequenina ponte branca que há no parque. Ela é uma menina de uns 13 anos; ele, um garoto de, no máximo, 16. Uma coisa eu lhes asseguro: eles são lindos, e ficam montados, um em frente ao outro, os joelhos a se tocarem, os rostos a se buscarem a todo momento para pequenos segredos, pequenos carinhos, pequenos beijos. Eu os observo por um minuto apenas para não perturbar-lhes, pois suspeito de que sabem de tudo o que se passa à sua volta. Às vezes, encaixam-se os pescoços e repousam os rostos um sobre o ombro do outro, e eu vejo então os olhos da menina percorrerem vagarosamente as coisas em torno, enquanto os do rapaz mantêm-se fixos. Depois se olham nos olhos, e ela afasta com a mão os cabelos de sobre a fronte do namorado, para vê-lo melhor e sente-se que eles se amam e dão suspiros de cortar o coração. E um longo beijo. Será, pergunto-me, essas duas crianças que tão cedo começam a praticar o amor prosseguirão se amando, ou procurarão o contato de outras bocas, de outras mãos, de outros ombros? E se prosseguirem se amando, pergunto-me novamente, será que um dia se casarão e serão felizes? Quando se olharem nos olhos, será que correrão um para o outro e se darão um grande abraço de ternura? Ou será que se desviarão o olhar, para pensar cada um consigo mesmo que ele não era exatamente aquilo que ela pensava e ela era menos bonita do que ele a tinha imaginado?”
Vinícius de Moraes
Das vantagens de ser bobo.

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir tocar no mundo.
O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: “Estou fazendo, estou pensando.”
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas.
O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo parece nunca ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu. Aviso: não confundir bobos com burros.
Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: “Até tu, Brutus?”
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação, os bobos ganham a vida.
CLARICE LISPECTOR
21 Guns
Green Day
Composição: Billie Joe ArmstrongDo you know what’s worth fighting for,
When it’s not worth dying for?
Does it take your breath away
And you feel yourself suffocating?
Does the pain weigh out the pride?
And you look for a place to hide?
Did someone break your heart inside?
You’re in ruins
One, 21 guns
Lay down your arms
Give up the fight
One, 21 guns
Throw up your arms into the sky
You and I
When you’re at the end of the road
And you lost all sense of control
And your thoughts have taken their toll
When your mind breaks the spirit of your soul
Your faith walks on broken glass
And the hangover doesn’t pass
Nothing’s ever built to last
You’re in ruins
One, 21 guns
Lay down your arms
Give up the fight
One, 21 guns
Throw up your arms into the sky,
You and I
Did you try to live on your own
When you burned down the house and home?
Did you stand too close to the fire?
Like a liar looking for forgiveness from a stone
When it’s time to live and let die
And you can’t get another try
Something inside this heart has died
You’re in ruins.
One, 21 guns
Lay down your arms
Give up the fight
One, 21 guns
Throw up your arms into the sky
One, 21 guns
Lay down your arms
Give up the fight
One, 21 guns
Throw up your arms into the sky,
You and I

Mas você não sabe o que tem até perderA little bit Longer (Nicholas Jerry Jonas)
E você não sabe como é se sentir tão triste
E todas as vezes que você sorriu e riu você brilhou


